O proletariado foi integrado?

Será que o proletariado está finalmente “integrado”?


Segundo o discurso ideológico do capital e do Estado, não há classes, todos são “classe média”, ou seja, vendedores e compradores livres, iguais, concorrentes, “capitais humanos”, com mais ou menos “sucesso” ou “méritos recompensados”, e com interesses mais ou menos “corporativos”, “colaborativos”. Quanto menos resistência a classe dominante enfrenta, mais essa utopia burguesa parece “realidade”… Porém, qualquer patrão conhece perfeitamente a realidade de que, por si mesmos, ou seja, sem ameaças nem recompensas, os trabalhadores não trabalham, e satisfazem suas paixões tomando tudo de graça… isto é, os patrões tem perfeita consciência de que todos os proletários do mundo formam uma classe, a classe dos que querem, saibam ou não, o comunismo pleno, luxuriante e universal. 


É certo que o proletariado é “ambíguo”. Mas isso não é para se lamentar. Sem ambiguidade não haveria contradição e toda mudança seria impossível.


Então, que uns trabalhadores ganhem 10 mil e outros 1 real, ou que uns tenham uma cultura (ou estilo de vida, ou raça ou gênero…) e outros tenham outra “oposta”, esse é o status quo que importa à classe dominante estabelecer e estimular, para que seus escravos se massacrem por “méritos” e se sujeitem por “livre e espontânea vontade”. Com isso, o que importa? Não holismos, espiritualidades, caridades, militâncias, auto-sacrifícios, culturas e identidades, sutilezas que só servem para definir estereótipos e culpar bodes expiatórios, mas exatamente o oposto: o materialismo egoísta e prático de resistir a se sacrificar por prêmios e chicoteamentos oferecidos pelos poderosos… egoísmo “chão” que é a única base da solidariedade de classe e único fundamento para uma livre associação universal dos indivíduos (comunismo) que possa superar o capital, a mercadoria, o trabalho e o Estado.


É contra o trabalho que o proletariado, enquanto classe, age, isto é, por uma sociedade em que a atividade humana não assuma mais a forma de “trabalho”, mas sim auto-realização material e auto-produção dos desejos, pensamentos e paixões de indivíduos livremente associados, graças ao fim da propriedade privada dos meios de vida. Isso é o que os proletários de todo o mundo e de todos os tempos querem, mesmo que estejam alienados de seus próprios interesses enquanto reproduzem a ideologia e o poder da classe proprietária. A realização desse desejo material é impedida pela má correlação de forças com a classe dominante, situação que os força a aceitar instituições mediadoras (sindicatos, partidos políticos, ongs…), reduzir a luta e “conversar” com a burguesia, para ao menos trabalhar o mínimo possível pelo máximo possível de meios de consumo (reformismo). Mas o menor acidente pode virar essa correlação de forças de uma vez por todas…


Humanaesfera, janeiro de 2015

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